Já ouvi de muita gente a célebre
frase “Religião e Política não se discutem”. Muitos preferem manter-se neutro a
correr o risco de ser mal interpretado. Sim, é um terreno perigoso, mas vou
correr o risco de andar por esse campo minado e expressar (já que tenho esse
direito) minha opinião. Pra começar, não
custa recapitular a etimologia e o conceito dessa palavra (se é que é possível conceituar religião).
Religião deriva do latim religio,
religare [religar, ligar bem], sendo assim, nos permite afirmar que religião é,
assim, uma ligação entre homens. É
partindo desse ponto que tento entender religião – ligar bem. Então há algo
solto, e partindo do princípio bíblico, penso que seria ligar o homem com Deus,
já que a desobediência no Éden rompeu esse laço.
Mas não é bem por aí, a religião
tomou diversas formas, paixões, ideologias... e muitas vezes não serve para
ligar absolutamente nada. O que seria então religião? Uma doutrina que
demanda interpretação, compromisso e fé, que permite uma prática e que tem
objetivos éticos, estéticos e emocionais?
Não sei! Suponho que a religião
cega milhares de pessoas, já que em nome da religião muitas vidas foram e são
deturpadas, em nome de religiões muitas guerras foram e continuam sendo
travadas, por causa de religião muitas vidas deixam de crer em Deus, por causa
de religiões que cometem atrocidades.
Não há dúvida que o ser humano
precisa acreditar em algo pra se sentir completo, seja ele católico, cristão,
ateu, agnóstico, espírita, seja o que for ele sempre tem uma busca, e essa sua
busca que se torna sua religião.
Sou cristã, sim!Acredito em Deus.
No criador que criou terra, céus e mar. Que fez o homem à Sua imagem e
semelhança, que povoou a terra, que dá o fôlego de vida, que enviou o Seu Filho
para salvar os que haviam se perdido. Acredito no seu poder infinito, na sua
soberania, no seu infinito amor, por nós, suas criaturas.
Pois bem, mas o que venho falar
hoje, é sobre coisas que causam indignação até mesmo para quem está na igreja,
veja lá pra quem está de fora. Pessoas se aproveitando do evangelho para se dar
bem na vida, usando a Palavra de Deus pra levar vantagem financeira, me
pergunto estamos de volta à Idade medieval e a venda das indulgências? Não foi
Jesus que se fez de pobre e veio habitar no meio de nós? Não foram os discípulos que deixaram tudo que tinham para seguir Jesus? Então o que é isso
que nós estamos vendo e vivenciando? Venda de bênçãos? Será que Deus se agrada
dessas práticas?
Falando em indignações, a
hipocrisia está por toda parte, pra que fazer voto de celibato e abusar de
crianças? Travar guerras matando milhares de pessoas e chamar “guerra santa”? O
que é que as religiões estão reforçando? Onde é que fica aquele conceito lá de
que religião serve pra ligar o homem com Deus, o que é feito com o compromisso e fé, que permite uma prática e
que tem objetivos éticos, estéticos e emocionais?
Pergunto-me, não serão essas práticas
que deixa o homem incrédulo? Não são esses aproveitadores oportunistas que afasta as pessoas
de irem à busca de Jesus?
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