Escrever sempre me fez bem. Talvez seja porque essa tenha sido uma maneira que encontrei para dar vazão aos sentimentos, por ser uma forma de eternizar o passado, deixar um vestígio da Joselina que foi e de como enxergava o mundo. Escrevia, escrevia e escrevia, esse era,e é meu hobbie desde infância. Tinha vários "caderninhos" que funcionavam como diário, lá registrava os fatos marcantes do meu dia, o que tinha se passado na escola, alguma chateação com alguém de casa... mais tarde as paixões platônicas da adolescência, os medos, enfim era "meu amigo de desabafo". Hoje, me surpreendi pensando naqueles textos que escrevera, alguns que nunca foram lidos por outra pessoa além de mim, (eu os guardava a sete chaves) não os mostrava a ninguém, não havia nada demais, mas era meu espaço, um pedacinho de mim. Pensando neles e sem recordar mais as palavras que ali foram escritas, me deu uma vontade de reler aqueles pequenos relatos, mas infelizmente não é mais possível, tudo virou cinza. Isso mesmo, esse foi o destino de todos os textinhos que eu escrevera, guardava-os por certo tempo e quando ia maturando as ideias achava aquilo ali a maior bobagem, os incinerava, sem pensar duas vezes, lia cada página, às vezes ria da imbecilidade ali escrita, às vezes chorava pela mágoa registrada naquelas palavras, outras vezes apenas pensava o que eu passaria a escrever no próximo caderninho. Ficava ali, durante horas, lendo, pensando e rasgando folha por folha, depois os observava enquanto eram queimados. Fiz isso durante anos, virou até uma espécie de ritual, escrevia, depois queimava, voltava a escrever, considerava bobagem e o ciclo se repetia. O último caderninho que restou, é o de 2010, eu tinha um por ano, esse ainda continua "vivo", já pensei inúmeras vezes em destruí-lo, leio-o as vezes, vem essa vontade e antes que se consuma tal desejo o guardo às pressas. Da última vez, cheguei a desconsiderar algumas páginas, (confissões demais).
Esse ano não quis saber de caderno... afinal a tecnologia ganhou espaço, é hora de aderir as aos novos meios. As cartas que ainda tenho guardadas (isso mesmo, ainda fui do tempo que enviava e recebia cartas) hoje, viraram e-mails, as fotos deixaram de ser reveladas, não são mais apenas pra guardar lembranças de bons momentos quando a memória vier falhar, servem agora para embelezar orkut e outros sites de relacionamento e os diários, ah, os queridos diários se transformaram em blogs ou fotologs. Como não podia deixar de ser, eu entrei nessa e "abandonei" o meu tão belo hábito de escrever memórias naqueles caderninhos, em que escrevia apenas para mim. Criei esse blog, deixando de narrar fatos corriqueiros, para externar lamentos, angústias, inquietações, opiniões (e quem sabe até alguns desabafos). Agora, resolvi "mudar" e abrir ao público esse meu diário. Resolvi mostrar o que penso, o que vejo e o que sinto. Possa ser que não me entendam, que me achem esquisita ou demasiadamente melancólica. Mas quem liga pra isso, acaso vocês também são normais?
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