Quisera eu saber escrever... moço,
expressaria tudo que passa no meu ser,
usaria todas as metáforas e conotações que me coubessem,
Pra contar minhas
Alegrias, agonias
Tristezas, incertezas
Dores, dissabores
Sonhos, segredos
Medos, desejos
Minhas lágrimas e seus motivos,
Meus sorrisos e seus desatinos,
Tudo isso, no romper do sol.
Se eu soubesse escrever, moço, contaria como anda minh'alma
tão em paz, enquanto minha mente quer lhe contrariar.
Ah! moço, diria como deixei de ser boba, sem deixar de ser ingênua
como passei a desconfiar, sem perder a confiança
a vida um dia nos ensina isso
à custo, mas ensina.
minh'alma está tão em paz
isso não tem preço
uma paz tão grande que não caberia nessas linhas
linhas que aqui não existem
linhas que não existem em lugar nenhum
tão imaginárias quanto a linha do Equador,
linhas que insistimos em colocar diante de nós
para limitar nossas tão limitadas vidas.
Ah! moço, quisera eu saber escrever,
como quem o faz em verso e prosa
usaria as palavras mais bonitas pra falar sobre
a vida!
(Joselina Naponocena)
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