Por muito tempo precisei de colo que ninguém me dava. Isso, porque justamente nos momentos de minhas dores e dissabores tinha alguém precisando de mim, então minhas dores eu as colocava no bolso e ia cuidar da dor do outro. Um dia esse bolso ficou cheio, tão cheio de dor que acabou arrebentando-se. Resultado: não poderia ser diferente, voou dor pra tudo que foi lado e não houve linha e agulha que desse jeito nesse bolso. Parecia o fim, mas o fim pode ser o começo e realmente foi. Foi nesse estourar do "bolso", nesse romper inesperado onde as dores mais fortes e profundas atingiram a superfície que encontrei o colo que tanto ansiei.
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